jlg
música

  rj  
André Filho: da Cidade Maravilhosa

Em 1935, André Filho lançou com Aurora Miranda (irmã de Carmem) a marcha “Cidade Maravilhosa”. Estava, também lançando o futuro hino do futuro Estado da Guanabara. Na verdade, desde logo, “Cidade Maravilhosa extravasou as características da marcha em nossa música popular. E toda a cidade sabia de cor o refrão: “Cudade maravilhosa/ cheia de encntos mil/ cidade maravilhosa/ coração do meu Brasil.” A “cidade maravilhosa”, tão famosa, que inclusive, teve as suas versoes em lingual estrangeira, uma delas, há pouco mais de dez anos, na voz do indefectível Carlos Ramirez.
Contudo, falar em André Filho não representa falar apenas em “Cidade Maravilhosa”. E esta, constitui uma das maiores injustiças que se faz ao compositor. Embora não possua bagagem musical das mais vastas, nela, assim mesmo, encontramos alguns grandes sambas, ou também marchas e valsas. Vale frisar que, na maioria dessas composições, música e letra são dele. Uma das exceções é o samba “Filosofia”, feito em parceria com Noel Rosa.
Carmem Miranda e Sylvio Caldas incluíram entre os seus sucessos algumas de suas melodias. Logo no início da sua carreira, aquela cantora, acompanhada por choro e coro, gravou um disco selo Victor, temdo e mambas as faces composições de André Filho. De um lado, a marchinha “Cuidado, hein!”, do outro o magnífico samba, “Malandro”, hoje, quase completamente esquecido: “Malandro, malandro, tu sabes que eu te quero bem…”, até o ponto em que a brejeirice de Carmen já se tornava pura melancholia: “não quero mais te pedir/ não vale a pena chorar/ tudo o que é bom nesta vida/ um dia tem que acabar”. Nessa gravação, o virtuose da flauta, que, nos interregnos vocais, executa um fascinante ponteado, era provavelmente o grande Pixinguinha. Ainda do repertório de Carmem Miranda, temos de André Filho o famoso “Bamboleô”, o fabuloso “Alô?... Alô?...”, gravado em dupla com Mário Reis: “Alô? Alô? Quem fala?/ responde com toda sinceridade/ Alô? Alô? Responde/ se gostas mesmo de mim de verdade?/ Alô? Alô? Continuas a não responder/ e o telefone cada vez mais/ é sempre assim/ não consigo ligação meu bem/ indiferente não se importa com meus ais”.
Sylvio Caldas, desde os seus primeiros tempos na Victor, lançava composições de André Filho, a partir de 1931, com “Nem Queiras Saber”, feito em parceria com Telácio da Silva. Mas, um dos grandes exitos do compositor foi a valsa, “Cinzas do Coração”, gravada na mesma Vicotr, por Vicente Celestino: “Cinzas, somente cinzas no coração/ cinzas do nosso amor…”
Outros cantores interpretaram suas músicas: Carlos Galhardo, Aurora Miranda, Vassourinha etc.
Antônio André de Sá Filho nasceu a 21 de março de 1906, no Rio de Janeiro, à Rua da Carioca nº 7. Órfão de pai e mãe, foi educado por uma avó, tendo principiado seus estudos de música ainda na infância, aos oito anos de idade. Também estudou canto com o maestro Gambardella, possuia interesses liter´rios, tendo-se formando em Ciência e Letras. Desde cedo, começou a trabalhar no radio: compositor, arranjador, cantor, locutor, uma espécie de homem dos sete instrumentos. Um dado curioso: foi Carlos Frias quem o substituiu como locutor.
As suas composições era regularmente divulgadas quando chegou o marco de 1935, com “Cidade Maravilhosa”. Daí, face ao êxito, passou praticamente a ser “o compositor de Cidade Maravilhosa” – uma homenagem justa e, também, uma injustiça se isto faz relegar as outras músicas que criou. A sua carreira foi sempre se ponteando entre as estações de radio: Philips, Educadora, Mayrink Veiga, Tupi, Guanabara. Por volta de 1940, começou a ficar com a saúde abalada e continua, hoje em dia, recolhido numa clínica particular. Há pouco, a fim de auxiliá-lo, vinte cantores em coro, sob a regência do maestro Lírio Panicalli, gravaram “Cidade Maravilhosa” na Odeon. Isso foi para ajudar a sua manutenção no hospital. O coro foi formado por Altemar Dutra, Dalva de Oliveira, Elza Soares, Gregório Barrios, Evaldo gouveia, João Dias, Moreira da Silva, Peri Ribeiro, Tito Madi, Orlando Dias, Trio Iraquitã, Trio Esperança e o conjunto The Golden Boys.

André Filho – composições:
Cidade Maravilhosa; Malandro; Cuidado, hein!; Alô?... Alô?...; Nem queiras saber; Candinha; E ela não jurou; Chorei; Saudades da mocidade; Se o teu amor consola; Vais viver no esquecimento; Ratoeira; O meu amor tem; Eu quero casar com você; Bamboleô; Quero só você; Espera um pouquinho; Primavera da vida; Baiana do tabuleiro; Carnaval da China; Cinzas no coração; Quanta tristeza; Filosofia; Perdão, Emília; Mamãesinha está dormindo.

Correio da Manhã
17/02/1965

 
Vogeler: resposta do tempo
Correio da Manhã 19/11/1964

Sinhô: o rei do samba
Correio da Manhã 25/11/1964

Pixinguinha: Dos Sete Instrumentos
Correio da Manhã 02/12/1964

Ismael: o bamba do Estácio
Correio da Manhã 09/12/1964

Orestes: Poesia e Seresta
Correio da Manhã 16/12/1964

Francisco Alves: o rei da voz
Correio da Manhã 23/12/1964

Benedito Lacerda: ou A Flauta de Prata
Correio da Manhã 30/12/1964

Cândido das Neves “Índio”: seresteiro da cidade
Correio da Manhã 06/01/1965

Orlando Silva: o cantor das multidões
Correio da Manhã 13/01/1965

Noel Rosa: Poeta da Vila, do Samba, do Povo
Correio da Manhã 20/01/1965

Ernesto Nazareth: o criador do tanguinho
Correio da Manhã 27/01/1965

Carmen Miranda: "A pequena notável"
Correio da Manhã 03/02/1965

Joubert de Carvalho: o criador de "Maringá"
Correio da Manhã 10/02/1965

André Filho: da Cidade Maravilhosa
Correio da Manhã 17/02/1965

Mário Reis: Rei da bossa
Correio da Manhã 24/02/1965

40 registros
 
|< <<   1  2  3   >> >|